sexta-feira, 6 de março de 2015

Primeiro e Último, História e Despedida

Opalão 1969 e Opalão 1992

Início e Fim...

Você sabe quem é quem?


HISTÓRIA DO OPALA


Em 1953 seria lançado na Alemanha o Opel Rekord, um carro tamanho médio, da subsidiária GM naquele país. Anos depois, precisamente em 1966, este automóvel seria usado como base para o desenvolvimento do projeto batizado de 676 da GM do Brasil. Era o projeto do primeiro carro de passeio nacional da montadora, que o público ficou conhecendo somente no VI Salão do Automóvel, realizado entre os dias 23 de novembro e 8 de dezembro de 1968: O Chevrolet Opala, resultado de mais de dois anos e 500 mil quilômetros de testes. Este foi a grande vedete do evento. Foi aí que teve início a trajetória de um automóvel que conquistaria os brasileiros em absoluto, tanto que foi descontinuado há apenas 10 anos.

O carro foi lançado em duas versões, Opala e Opala De Luxo, equipadas com também duas motorizações, um 4 cilindros de 2500 CC (com 80 Hp a 4000 rpm) e o 6 cilindros de 3800 CC. Talvez estes sejam um dos segredos da durabilidade do Opala, pois eram (ainda são) motores duráveis que não requeriam muita manutenção. Tivemos notícia de um Opala 73 que rodou 400 mil km sem qualquer reforma. O carro era bom mesmo, pois em menos de um ano depois de seu lançamento o Opala já alcançava a marca dos 10 mil carros produzidos. Em 1970 o modelo Luxo (4 cilindros de 2500 CC) recebeu o troféu de carro mais perfeito do ano dado pelo programa "Carro é Notícia" da TV Rio canal 13. Em junho de 1970 o carro teve as primeiras mudanças e a linha ganha nova grade e mais quatro novos modelos, o Opala Especial (standard), o Opala de Luxo (intermediário), o Opala Gran Luxo (a versão mais luxuosa com acabamento requintado) e o Opala SS.

Essa versão esportiva da linha Opala merece um pouco mais de atenção, pois é o mais procurado pelos colecionadores. O Opala SS trazia a novidade do motor 4100 CC de 6 cilindros com a potência aumentada para 140 Hp ( a 4000 rpm). O show ficava por conta das duas faixas pretas foscas no capô dianteiro, nas laterais, de pára-lamas à pára-lamas foram aplicadas três faixas pretas para conferir ao carro uma aparência mais esportiva. O SS vinha equipado com rodas de 14x5 polegadas de cinco pontas em aço estampado, sem calotas, e com pneus 7,35x14 sem câmaras, novo volante de três raios com o logotipo SS aplicado no centro, com conta giros no painel em lugar do relógio (da versão Gran Luxo). Muita gente acha que a sigla SS quer dizer "Super Sport", mas na verdade significa "Separed Seats", que em português significa "assentos separados", estes disponíveis como opcional também na versão Gran Luxo.

Em 1972 a linha Opala seria acrescida do modelo coupé duas portas sem coluna (uma sensação), um "um fast back de verdade" ou, o "genuíno Hard Top sem coluna" , como dizia o slogan da época. Neste ano o modelo SS 4 portas daria lugar ao SS de 2 portas coupé, o que deu um toque ainda mais esportivo ao carro. Neste mesmo ano a Chevrolet aboliria o motor 3800 CC de 6 cilindros, ficando em linha somente o 4100 CC de cilindros e o 2500 CC de 4 cilindros. O emblema que identificava o 6 cilindros 4100 ganhou nova forma e passou a ser aplicado no pára-lamas dianteiro. Em 1973 a linha ganhou novo acabamento interno e novas cores.

Em 1974 o carro sofre novas modificações. Na verdade elas podiam mais ser sentidas do que propriamente vistas. Tratava-se de um novo motor 4 cilindros chamado de 151 com 90 Hp, o aperfeiçoamento da suspensão dianteira, no eixo e na transmissão "automatic" passou a ser disponível em toda a linha Opala inclusive nos 4 cilindros. A nova versão SS-4, com motor 4 cilindros, recebeu motor 151-S de 98 Hp. Nesta versão o capô dianteiro, a saia dianteira, saia traseira e pára-choques foram pintados de preto fosco e as cores disponíveis eram: Vermelho Fórmula, Super Verde e Amarelo Caju. Nesse ano já eram mais de 300.000 Opalas produzidos.

Em 1975 a GM comemorava 50 anos de Brasil e reestilizou a linha Opala. O automóvel ficou com uma aparência mais robusta, passou a ter nova grade, novo capô, novos pára-lamas, a traseira passa a ter 4 sinaleiras redondas, o carro ganha novas calotas, a versão Gran Luxo é descontinuada e dá lugar ao luxuoso Chevrolet Opala Comodoro, com o teto em vinil Las Vegas, disponível somente na versão Coupé. Apesar de tudo, o "xodó" do ano foi o lançamento da Wagon Opala Caravan, que surge como ótima opção de carro de passeio e utilitário. Apesar de já existirem peruas como Belina e Variant, a Caravan destacou-se por ter maior porte, por ser mais robusta e por possuir maior capacidade de carga. Por mais de 20 anos foi o carro preferido pelas grandes famílias brasileiras e seu único pecado foi não ter apresentado a versão 4 portas, indispensável em um carro com estas dimensões. No ano seguinte não ocorreram muitas modificações na linha Opala, porém surgiu o motor 6 cilindros 250-S com tuchos mecânicos e novo comando de válvulas, o que ocasionou o aumento de sua potência de 140 Hp para 171 Hp. O Opala Caravan foi escolhido pela revista Auto Esporte como "O melhor carro fabricado em 1975".

Em 1977 somente o Opala SS passou por algumas mudanças, por exemplo: novas rodas de ferro (gama) modernas e esportivas; novo volante; novas faixas externas tendo o logotipo SS escrito na parte inferior dos pára-lamas dianteiros. Em 1978 o Opala ganha nova grade dianteira, novo volante e a chave da ignição passou a ser na coluna de direção. O motor 250-S passou a ser disponível em toda linha Opala e o carro ganha um belo acabamento vinho (chateau), além dos monocromáticos preto e marrom. Surge a versão SS da Wagon Caravan, com motores de 4 e 6 cilindros, com faixas decorativas semelhantes às do Opala, novos espelhos, faróis de milha e vidros Ray-Ban. Em 1979 surgiu o novo sistema de carburação, com corpo duplo e duplo estágio, novo tanque de combustível com capacidade para 65 litros e freio de mão entre os bancos dianteiros, mais prático. Este foi o último Opala de faróis redondos, pois em 1980, apesar da carroceria continuar a mesma, o carro foi todo reestilizado. O Opala ganha nova grade, faróis e sinaleiras traseiras retangulares, perdendo um pouco do seu charme. Nesse ano seria lançado o Diplomata, versão Top de linha, que vinha com bancos e laterais revestidas em "cashmerew" e console revestido em vinil. 

Em 1981 a linha Opala ganhou novo painel e a Caravan ganha um acessório muito útil em qualquer wagon: o limpador de vidro traseiro. Em 1982 o Opala ganha transmissão de cinco velocidades com a 5ª marcha em Over Drive para a versão 4 cilindros. A linha Diplomata tem os pára-choques pretos envolvidos por frisos de borracha e pára-brisas laminado degradé. Os modelos à álcool tiveram o tanque aumentado de 65 para 88 litros. 

Nessa altura, mantendo quase o mesmo estilo de quando foi lançado, o Opala se manteve em evidência no mercado, e em 88 recebeu nova maquiagem, o carro ganha nova frente (mais proeminente), com novos faróis, grade e painel. Em 1991 novos pára-choques reestilizados, rodas aro 15 para o Diplomata e novo acabamento interno, freio à disco nas quatro rodas e desaparece o quebra vento. Em 1992 o Opala dá seus últimos suspiros em meio a uma grande novidade: câmbio de 5 marchas com Over Drive para o motor 6 cilindros. Nesse ano a GM comemora a fabricação de um milhão de Opalas, e em 16 de abril de 1992 fabrica o último Opala, que no ano seguinte daria lugar a outro fantástico automóvel chamado Omega, que por sua vez conseguiu o substituir nas concessionárias, mas nunca no coração dos brasileiros, que ainda hoje cultuam este grande carro que até hoje mantém um bom índice de venda no mercado de usados.

Matéria extraída da Revista CLASSIC SHOW MAGAZINE
Ano III - Nº 13 - 2002


A DESPEDIDA POR ELE MESMO

 Minha trajetória começou em 1968 quando fui apresentado após grande expectativa. Com a frase “Meu carro vem aí”, a Chevrolet lançou campanhas publicitárias com grandes artistas como o jogador Rivelino, a atriz Tonia Carrero e o cantor Jair Rodrigues. Todos dirigiam o carro com grande empolgação, até que chegou o dia do meu lançamento. A festa aconteceu no VI Salão do Automóvel, que reuniu jornalistas e milhares de pessoas. O pessoal caprichou na apresentação, com um estande de 1.500 metros quadrados e um palco giratório.

Virei um sucesso imediato, afinal cheguei em grande estilo, em traje de sedã médio com quatro portas, amplo espaço, e uma mecânica simples e muito confiável. Para o motor havia a opção do quatro cilindros, de 80 cv, 2,5 litros e também o seis cilindros em linha, 3,8 litros e 125 cv, ambos uma nova geração de motores da GM americana surgida cinco anos antes e que foram de imediato produzidos na fábrica GM de São José dos Campos. Traziam a novidade de serem modulares, com diversas peças intercambiáveis entre si, como pistões, bielas e válvulas. No mais, eu era como todo automóvel dos anos 1960: banco inteiriço, grade cromada e alavanca do câmbio de três marchas na coluna de direção. Briguei de frente com o Galaxie, um concorrente de peso e de luxo, mas meu preço era menor e por isso ganhei mais espaço entre o público da classe média.

Em 1970, após dez mil unidades vendidas (sucesso para o mercado da época), me lançaram na versão cupê, num almoço de gala realizado na Hípica Paulista. A série, chamada SS, trazia um acabamento diferenciado com faixas esportivas nas laterais, rodas de tala com cinco polegadas, bancos individuais, câmbio de quatro marchas, volante de três raios e conta giros no painel. Na ocasião, meu motor cresceu para 4,1 litros e 140 cv, e virei o sonho de consumo entre os mais jovens, que depois iriam dividir minha atenção com os Dodges e também o Maverick GT, todos com motor V8.

Apesar de ser um carro muito forte e com manutenção simples, meus freios a tambor não eram eficientes, bem como a mistura ar-combustível do carburador. Ainda assim, só elogios por parte da imprensa e também do público.

Na década de 1970 eu reinei absoluto, já que a partir de 1973 os grandalhões Dart, Charger, Galaxie, Maverick – todos de origem norte americana, deixaram de vender por conta do preço da gasolina, que aumentou muito.

A GM investiu em séries especiais como a Las Vegas, que trazia itens de conforto, como forma de se aproximar do consumidor do luxuoso Galaxie ou Landau. Em seguida começou a trabalhar no lançamento da Caravan, a primeira station wagon da Chevrolet, que foi lançada somente em 1976, quando eu ganhei uma roupa nova, mais moderna e também os lindos faróis redondos, inspirados no modelo Impala.

Tive dezenas de aperfeiçoamentos na década de 1970, e opções que iam desde o modelo mais simples, ao Comodoro, o mais sofisticado e completo, com destaque para um motor de quatro cilindros mais eficiente e econômico, afinal eram tempos de gasolina mais cara.

Em 1980 eu fui modernizado, com linhas mais retas, e ganhei, isso em 1981, um novo interior, câmbio de cinco marchas e a versão a álcool. Também recebi de presente um traje de gala, a versão Diplomata, com ar condicionado, direção hidráulica e câmbio automático (este opcional).

Porém, dentro de casa, vi a Chevrolet projetar e lançar o Monza, que faria um tremendo sucesso a partir de 1985 na versão sedan. Como eu passei a década inteirinha sem maiores mudanças, vi que meu espaço estava ficando apertado no mercado brasileiro, que queria modelos mais modernos. Deixei a carroceria cupê em 1897, e em 1990 a GM já decidia que meu fim era mesmo a aposentadoria. Resolveram apostar no Ômega, um irmão mais novo que fez jus ao legado que deixei ao longo de 23 anos. 

Hoje fico muito feliz em ver minha aposentadoria em tão grande estilo. Afinal, recebo o carinho de milhares de donos em todo o Brasil, clubes que se dedicam a contar minha história e até fabricantes de auto-peças que continuam a alimentar o mercado de reposição. Isso me dá a certeza de que continuarei vivo como um dos carros mais amados do Brasil.

Aos proprietários e amantes de Opala: muito obrigado!


“Psicografia” de Marcos Camargo Jr.


2 comentários:

raphael muller disse...

O vermelho é vc um 69, já o outro da foto não é o último pois se trata de um modelo 90 e o último que saiu foi um diplomataem 1992 automático versão colections.

raphael muller disse...

Mas bela dupla